Saúde mental no trabalho: um alerta para instituições de saúde durante o Setembro Amarelo


Nos últimos dez anos, os afastamentos do trabalho por transtornos psicológicos mais do que dobraram no Brasil, alcançando 440 mil casos em 2024, segundo levantamento publicado pela Você S/A (2024). Ansiedade, episódios depressivos e burnout estão entre os principais motivos. No setor da saúde, essa realidade se intensifica. Profissionais lidam diariamente com vidas humanas, rotinas intensas, plantões prolongados e pressões emocionais que exigem muito além das competências técnicas. Em meio a esse cenário, o Setembro Amarelo traz uma reflexão urgente: como as instituições podem cuidar melhor de quem cuida?
O impacto silencioso da saúde mental no trabalho
Problemas emocionais não afetam apenas o colaborador, mas toda a organização. Altas taxas de adoecimento psicológico reduzem produtividade, aumentam absenteísmo e ampliam os custos com rotatividade. Em hospitais, clínicas e laboratórios, isso pode comprometer diretamente a qualidade do cuidado oferecido aos pacientes.
De acordo com a Você S/A (2024), apenas em 2024 os afastamentos por ansiedade chegaram a 141 mil casos e os por episódios depressivos a 113 mil. São números que evidenciam a necessidade urgente de políticas de prevenção e apoio psicológico no ambiente de trabalho.
Fatores que aumentam o risco nas instituições de saúde
Baseada na minha experiência com lideranças e equipes da área, destaco alguns fatores que tornam os profissionais mais vulneráveis:
Escalas exaustivas e plantões sucessivos.
Falta de apoio emocional ou supervisão adequada.
Pressão constante por metas e produtividade.
Reconhecimento insuficiente e comunicação falha.
Pouca flexibilidade para conciliar vida pessoal e trabalho.
Esses aspectos criam um terreno fértil para esgotamento emocional, afastamentos e até situações extremas, como ideação suicida.
O papel das instituições de saúde
Investir em saúde mental não é custo, é estratégia. Algumas práticas que recomendo às instituições:
Programas estruturados de apoio psicológico presencial ou online.
Capacitação de líderes para identificar sinais de sofrimento emocional e agir precocemente.
Flexibilização de escalas em momentos críticos, como luto ou adoecimento familiar.
Promoção de pausas e férias efetivas, respeitando os períodos de descanso.
Criação de espaços de escuta e diálogo sobre masculinidades, cuidado e equilíbrio.
A experiência mostra que essas medidas não só reduzem afastamentos como fortalecem engajamento, retenção e qualidade assistencial.
Setembro Amarelo como ponto de partida
O Setembro Amarelo é um momento simbólico para abrir conversas que costumam ser adiadas. É uma oportunidade para instituições de saúde olharem para dentro e se perguntarem: “Estamos cuidando de quem cuida?”
Criar ambientes mais saudáveis e humanos é uma responsabilidade coletiva e estratégica. Profissionais equilibrados emocionalmente oferecem um cuidado melhor, tomam decisões mais assertivas e constroem equipes mais colaborativas.
Como CEO da EmpregaSaúde, tenho acompanhado de perto os desafios das instituições nesse tema. Acredito que cuidar da saúde mental dos profissionais é tão importante quanto cuidar dos pacientes.
Na EmpregaSaúde, ajudamos empresas do setor a desenvolver políticas, líderes e práticas que fortalecem o bem-estar das equipes. Seja por meio de Mentoria Executiva, Desenvolvimento de Lideranças ou Programas personalizados de engajamento e retenção, trabalhamos para que sua instituição seja um lugar seguro e inspirador para quem dedica a vida a cuidar.
Quer saber como implementar estratégias eficazes de saúde mental no seu ambiente de trabalho?



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